De um herói do povo.

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Há pouco mais de meio ano, falecia o Eusébio. O nosso Eusébio, o do Sport Lisboa e Benfica mas também o Eusébio de todos. O Eusébio do povo.

À data, este blog não tinha ainda iniciado as actividades (de resto, foi uma das razões para o adiamento desse começo), de maneiras que far-se-à agora a justa e devida homenagem ao grande herói popular.
Sobre as qualidades futebolísticas do Pantera Negra, pouco há a acrescentar. Os números falam por si. 790 golos em 807 jogos oficiais disputados – entre clubes e selecção portuguesa – fazem do Eusébio o melhor jogador português de sempre e, na opinião do autor destas linhas, o melhor futebolista da História. A sua força infindável, a sua técnica e visão de jogo, a sua postura, tudo isso e muito mais fizeram do Eusébio o Maior. O Rei. Mesmo que, pessoalmente, tenha um outro ídolo do Benfica que coloque acima do Eusébio na hierarquia das camisolas vermelhas (a seu tempo falaremos disso) o Eusébio é incontornável para qualquer Benfiquista. A impressionante onda de emoção no universo Benfiquista e que se estendeu às camisolas vermelhas naquela gloriosa tarde de Janeiro último, atestam bem a aura de líder espiritual (um deles) do Benfica e do Benfiquismo que o Eusébio tinha. E dizer isto é, para mim, dizer muito.

Mas o Eusébio era muito mais que um ídolo da bola. O Eusébio era um herói popular. O Benfica, o Sport Lisboa e Benfica, é um clube fértil na criação de lendas ainda em vida. José Maria Nicolau, José Águas, Coluna, Chalana, Vítor Batista ou Toni são apenas alguns desses nomes. Porém o Eusébio é a maior lenda de todas. Ninguém levou o nome do Sport Lisboa e Benfica tão longe e tão alto como ele. Ninguém se tornou, literalmente, no outro nome do Benfica em todo o Mundo. Um caso que eu direi quase único no globo futeboleiro. No máximo, só Pelé e o Santos e Maradona e o Nápoles se podem comparar nesta simbiose. Os deuses da bola, portanto.

O Eusébio é um herói popular em todo o Mundo. Na foto acima vemos um graffiti do Pantera Negra numa rua de Amsterdão, recentemente elaborado por um colectivo de street art holandês. Gente que, muito provavelmente, nasceu vários anos depois de o Eusébio acabar a carreira. Gente de outro país. Gente de outros clubes. E que fez questão de o pintar com a camisola vermelha que lhe pertence por direito. O que não deixa de ser um reconhecimento do nosso Clube como um Clube mítico e lendário. Um Clube-Herói.

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O Eusébio é, verdadeiramente, um herói popular. A sua imagem de simplicidade e alguma boémia, até a de alguma inocência, granjearam-lhe a simpatia por gerações e gerações. Por exemplo, eu decorei a tabuada dos 9 com uma mnemónica que era a “tabuada do Eusébio”. E quando vêm tremoços para a mesa, qual é a alcunha dada ao prato que nos servem? Que outro futebolista se nos cravou assim na memória colectiva, no folclore e cultura ainda em vida? Nenhum.

O Eusébio foi vitoriado, aquando do seu desaparecimento, por gente de todas as idades e de todas as raças. Também por gente de todas as classes sociais. Mas só as gentes do povo, das classes populares sentiram estar a perder um dos seus. Porque o Eusébio significou, também, nos relvados e pelados por esse Mundo afora, a força dos Povos. Cada remate seu à baliza era também um grito de revolta de todos. Cada celebração efusiva (e que efusivas elas eram) de cada golo eram também a expressão de alegria colectiva, ainda que momentânea, de todos os Povos. Porque o Eusébio, Africano de nascimento, português de obrigação e Benfiquista de coração era, acima de tudo, um homem do povo. De alma.

Viva o Eusébio!

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p.s.: Anteontem, enquanto assistia ao jogo que opôs a selecção da Alemanha a uma caderneta de cromos dei comigo a pensar no Eusébio. Apesar de tudo, o Eusébio sempre acompanhou a equipa da FPF. Até porque o Eusébio foi o melhor jogador que por ali passou. E dei comigo a pensar em como, no seu tempo, as reviravoltas malucas em campeonatos do Mundo FIFA pareciam fáceis. Mas o grande mal é que penso nisso muitas vezes, vezes demasiadas, durante os jogos do nosso Benfica.

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Sobre I

No Benfica, no party.
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